O mês de setembro chegou e com ele a campanha do Setembro Amarelo. Campanha brasileira de conscientização dedicada à prevenção do suicídio e à valorização da vida. O foco da campanha deste ano é a escuta acolhedora. Acredito que é a melhor forma de ajudar o outro, com a escuta.
A campanha é importante e primordial na luta contra o suicídio. O Grande ABC registrou, de janeiro a julho de 2026, 87 mortes por suicídio, sendo 72 vítimas do gênero masculino, ou seja, 83% do total. Os dados são da SSP (Secretaria da Segurança Pública).
Dados alarmantes, que refletem o perfil do homem sempre com medo de pedir ajuda, pois foi ensinado que isso era errado.
Mas afinal, do que os homens têm medo?
Nós somos vítimas do patriarcado e desse discurso de dominação masculina perigoso. Ensinados desde cedo que ser homem é o oposto de ser mulher e que ter qualquer traço ligado ao feminino é errado. Desde o pai machão reproduzindo em alto e bom som que seu filho vai comer todas “porque ele é homem”, ao tio validando que o menino possa abaixar as calças e urinar onde quiser “porque ele é homem”, passando por mães que dizem aos filhos enquanto enxugam suas lágrimas que “homem não chora”. E por aí vai.
E desta forma, reproduzindo o machismo de geração em geração, criamos homens, meninos, meninas e mulheres e todas as pessoas, independentemente de suas escolhas de gênero, com o padrão patriarcal. Infelizmente. Ninguém nasce machista, mas nos transformamos a cada ano que passa, reproduzimos o que aprendemos, criamos crenças perigosas e nos tornamos o homem que tem medo de sentir medo.
Temos medo de expressar nossos sentimentos ao ponto de não conseguir falar um EU TE AMO para um amigo. Sentimos medo de ter medo. Somos homens com medo de chorar na frente de outras pessoas, temos medo de que nos achem fracos por expressar uma dor ou de admitir que não conseguimos algo. Quando tudo isso vira uma bola de neve, muitas vezes já é tarde.
Médico não é coisa de homem, chorar não é coisa de homem, pedir ajuda não é coisa de homem. Homem tem que ser forte, ser provedor, ser protetor e aguentar tudo calado. Ele dá conta, dizem. Assim, aos poucos, a saída é o álcool, as drogas, os jogos, a solidão e infelizmente a escolha por tirar a própria vida.
O machismo nos destrói e nos transforma em seres humanos fadados a uma performance que não se sustenta. Por isso, é importante que possamos falar sobre machismo, lutar contra o machismo e parar de reproduzir discursos machistas de dominação masculina. É urgente que a gente possa conversar com o outro, escutar o que o outro sente e pedir ajuda sempre que for necessário.
Converse, peça ajuda, busque profissionais da saúde e lute. Ser homem é ser humano!