Amor próprio masculino: o que ninguém conta sobre aprender a se amar sendo homem

Tem uma coisa estranha que acontece quando você começa a falar de amor próprio sendo homem.

As pessoas olham pra você com uma mistura de surpresa e desconfiança. Como se o tema não fosse pra você. Como se amor próprio fosse assunto de revista feminina, de podcast de mulher, de hashtag que não te diz respeito.

Cresci acreditando nisso também. Não porque alguém me disse que amor próprio era coisa de mulher. Foi mais sutil. Foi a ausência de qualquer conversa sobre isso no mundo masculino ao meu redor. Foi o fato de que os homens que eu admirava nunca falavam sobre como se sentiam em relação a si mesmos. Faziam. Construíam. Conquistavam. Mas se amar? Isso ficava pra lá.

E eu aprendi, sem perceber, que cuidar de mim mesmo era um sinal de fraqueza. Que precisar de coisas, querer coisas, sentir que merecia coisas era frescura. Que o homem de verdade não precisa dessas conversas.

Só fui entender o tamanho do equívoco quando comecei a escrever.

O que amor próprio masculino não é

Antes de qualquer coisa, preciso falar sobre o que amor próprio não é, pelo menos não da forma que entendo.

Não é uma lista de hábitos matinais. Não é academia às cinco da manhã, ducha fria e meditação como performance. Não é o cara que posta a rotina de “alta performance” como se disciplina extrema fosse a prova de que ele se respeita.

Isso pode ser muita coisa. Mas não é necessariamente amor próprio. Às vezes é o oposto: é o homem se punindo com exigências impossíveis porque, no fundo, sente que nunca é suficiente.

Amor próprio, do jeito que entendo depois de tudo que vivi e escrevi, é algo muito mais simples e muito mais difícil ao mesmo tempo: é a capacidade de se tratar com a mesma consideração que você teria por alguém que você ama de verdade.

Simples de dizer. Muito difícil de fazer quando você nunca aprendeu que merecia isso.

O que eu aprendi escrevendo Pedro Pontes

Quando comecei a escrever Os Homens Não Conhecem o Amor, criei um personagem chamado Pedro Pontes. Não criei ele como herói. Criei ele como alguém que eu reconhecia: um homem que funcionava bem por fora e estava destruindo a si mesmo por dentro, lentamente, sem perceber.

Pedro Pontes tem talento. Tem inteligência. Tem tudo que, na teoria, deveria fazer dele alguém feliz. Mas ele não se permite nada disso. Ele se sabota antes que alguém possa sabotá-lo. Ele abandona antes de ser abandonado. Ele mantém distância de qualquer coisa que possa fazer sentido, porque fazer sentido significa arriscar.

Escrever ele foi um processo que demorou para eu entender. Só depois de alguns meses escrevendo é que percebi que estava colocando no Pedro os padrões que via em mim mesmo: a tendência a me colocar por último, a dificuldade em aceitar coisas boas sem esperar que elas desaparecessem logo, a sensação constante de que eu precisava provar alguma coisa antes de poder descansar.

Não era ficção. Era um espelho com nome diferente.

Por que o homem não aprende a se amar

Tem uma razão muito concreta para isso, e não é frescura nem fraqueza de caráter. É educação. É o que foi ensinado.

Meninos são criados para fazer. Para conquistar. Para provar. O valor do homem, na maioria das mensagens que recebemos desde cedo, está no que ele produz, no que ele consegue, no que ele constrói. Não em quem ele é. Não em como ele se sente.

O problema é que um homem que não sabe se amar vai passar a vida inteira tentando ser amado de fora, porque não consegue gerar isso de dentro. Vai buscar validação em conquistas que nunca são suficientes. Vai entrar em relacionamentos com o buraco errado, esperando que outra pessoa conserte o que ele não consegue consertar em si mesmo.

E vai ficando exausto. Esse cansaço silencioso de nunca ser suficiente, de sempre precisar provar mais, de nunca poder parar.

Reconheço esse cansaço porque ele foi meu por muito tempo.

O que começa a mudar

Não tenho uma fórmula. Não vou dizer que acordei um dia diferente. Não foi assim.

Foi um processo lento, que começou quando parei de me tratar como se meus problemas fossem menos importantes que os problemas dos outros. Quando parei de achar que pedir ajuda era sinal de que eu não estava dando conta. Quando parei de colocar como condição para me sentir bem alguma conquista futura que eu ainda não tinha atingido.

Começou quando comecei a notar o tom que usava comigo mesmo. A dureza. A forma como tratava qualquer erro meu como prova de que eu era fundamentalmente falho. Ninguém que eu amasse, eu trataria assim. Mas a mim mesmo, era natural.

Isso foi o começo: perceber que havia uma inconsistência enorme entre a forma como eu tratava os outros e como eu me tratava.

Amor próprio não é egoísmo

Ainda existe muito confusão em torno disso. Muitos homens resistem ao tema porque associam amor próprio a egoísmo. Como se cuidar de si mesmo fosse deixar de cuidar dos outros.

Não é.

Na verdade, o oposto. Um homem que não tem nenhuma reserva de consideração por si mesmo vai se tornar um problema para as pessoas ao redor. Vai exigir delas o que não consegue dar a si mesmo. Vai ficar ressentido quando não receber de volta o que ele próprio nunca oferece. Vai se perder em relacionamentos que funcionam como tentativas de preencher um buraco que nenhuma outra pessoa consegue preencher.

Cuidar de si mesmo não é fraqueza. É a base. Sem ela, tudo o mais fica construído sobre areia.

Pedro Pontes aprende isso da forma mais difícil no livro. Aprende quando já perdeu coisas que não vai recuperar. Aprende tarde, como a maioria de nós aprende.

Mas aprende.

E se você chegou até aqui, talvez esteja no começo desse processo. Talvez esteja reconhecendo em você a mesma dureza que Pedro carrega no começo da história. Talvez esteja cansado de se cobrar de formas que não cobrava de mais ninguém.

O livro Os Homens Não Conhecem o Amor não é um guia de amor próprio. É ficção. É a história de um homem que vai descobrindo, de dentro, o que sempre esteve faltando. Você encontra a edição autografada em livrodopipo.com.br e o físico e o ebook na Amazon.

Se tem algo que aprendi escrevendo aquele livro, é que não existe jornada real sem esse ponto de partida: a decisão, por menor que seja, de começar a se levar a sério.

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