Entrevista é uma coisa estranha para quem é jornalista.
Durante anos, fui eu quem fez as perguntas. Aprendi cedo que uma boa entrevista não é sobre o que o entrevistador quer ouvir, é sobre o que o entrevistado ainda não sabe que precisa dizer. As melhores perguntas são aquelas que tiram você do roteiro que tinha preparado na cabeça.
Em março de 2026, a Revista Conexão Literatura me entrevistou sobre Os Homens Não Conhecem o Amor. E eu entendi, do outro lado da cadeira, o que eu sempre soube teoricamente: que responder perguntas de verdade é muito mais difícil do que fazê-las.
Por que essa entrevista importou
A Revista Conexão Literatura tem um espaço específico no mercado literário brasileiro. Não é uma grande publicação de comportamento ou saúde mental. É um veículo voltado para literatura, para quem lê, para quem escreve, para quem se interessa pelo universo do livro.
Ser entrevistado ali, como autor, com perguntas sobre o processo de escrita, sobre as escolhas narrativas e sobre o que o livro tem a dizer, foi diferente de qualquer outro tipo de divulgação que fiz até agora. Não era sobre alcance de público. Era sobre conversar com pessoas que levam a literatura a sério.
E as perguntas foram boas. Boas no sentido de que me obrigaram a pensar com clareza sobre coisas que eu carregava de forma difusa.
O que eu disse, e o que eu quis dizer de verdade
Uma das perguntas foi sobre o Pedro Pontes, o protagonista do livro. Se ainda existe resistência do público masculino em aceitar personagens homens vulneráveis.
Eu disse que sim, que existe e muito. E é verdade. Nas rodas de amigos, nas conversas com estranhos, sempre enxerguei nos homens uma dificuldade enorme de admitir que sentem. Que têm medo. Que se machucam por amor. Recebo desdém em relação ao meu livro e ao conteúdo que crio no Instagram, e ele vem quase sempre de homens.
Mas o que eu quis dizer, e talvez não tenha dito com tanta clareza: esse desdém não é descaso. É desconforto. Quando um homem olha para a história do Pedro e vira o rosto, não é porque a história não tocou nele. É porque tocou demais e ele não sabe o que fazer com isso.
Fomos criados para ser fortaleza. Não para sentir, não para expor, não para pedir ajuda. E o resultado disso vai muito além dos relacionamentos que não funcionam. Aparece nos dados de saúde mental masculina, nos índices de suicídio, nos homens que adoecem sem nunca ter dito para ninguém que estavam mal.
Escrevi Os Homens Não Conhecem o Amor porque queria abrir uma fresta nisso. Não com discurso de especialista, porque não sou especialista. Com história. Com um personagem real que chora, que se apega, que erra, que aprende e que encontra no final um amor que ninguém pode tirar dele: o próprio.
Sobre escrever o livro em 15 dias
Outra pergunta foi sobre o processo de escrita. O livro foi escrito em aproximadamente 15 noites, em 2022, num período de desemprego e fragilidade emocional.
Quando respondo isso, as pessoas normalmente reagem com surpresa, como se 15 dias fosse pouco ou muito. A verdade é que o livro levou 14 anos para ser escrito. A ideia nasceu em 2008, na faculdade. O que aconteceu em 2022 foi que o enredo já estava na cabeça, os personagens já existiam, e o estado emocional em que eu estava me deu coragem de tirar tudo disso.
Estar mais sensível aumentou a profundidade da história. Não era fragilidade como limitação. Era fragilidade como acesso.
Escrevi duas horas por noite. Seguia uma rotina que criei para aquele período. E cada noite era uma camada a mais de algo que eu estava processando ao mesmo tempo em que colocava no papel.
O título que não seria esse
Na entrevista, falei sobre o título do livro. E vale a pena ampliar aqui.
O título original que eu tinha em mente era Um Cara com Coragem para Amar ou Amor que eu nunca vi. Eu achava que um dos dois ia ser o nome final.
Foi a Lilian Cardoso, minha editora na LC Books, quem sugeriu Os Homens Não Conhecem o Amor. E ela fez uma coisa muito inteligente: deixou o “Não” riscado na capa. Não como decoração, mas como provocação. A pergunta que o título levanta não é uma afirmação. É uma dúvida. Será que os homens realmente não conhecem o amor? Que amor é esse que os homens buscam?
Quando aceitei a sugestão, entendi que o título era melhor do que qualquer coisa que eu tinha pensado. Porque coloca o leitor em questão antes mesmo de abrir a primeira página.
O que o livro tem a ver com a conversa que a gente precisa ter
Na parte final da entrevista, a pergunta foi sobre o próximo passo literário. Eu disse que amo falar de amor e quero continuar quebrando o padrão do “macho-alpha”.
Isso é verdade, e tenho um segundo livro em desenvolvimento que vai continuar nessa direção, com um olhar diferente. Mas o que não disse na entrevista, e digo aqui: o primeiro livro ainda tem muito a percorrer.
Os Homens Não Conhecem o Amor chegou a leitores que eu não esperava. Gerou conversas que eu não tinha planejado. E ainda tem histórias por contar, debates por abrir, homens que ainda não encontraram o livro e que, quando encontrarem, vão se reconhecer no Pedro.
Por isso estou aqui, escrevendo no blog, aparecendo na imprensa, mantendo o Instagram ativo, conversando com quem chega. Não porque sou especialista. Porque tenho uma história para contar e acredito que ela faz diferença.
Leia a entrevista completa e conheça o livro
A entrevista completa com a Revista Conexão Literatura está em revistaconexaoliteratura.com.br.
Para adquirir Os Homens Não Conhecem o Amor: a edição autografada com marcador de página e pack de adesivos exclusivos está no meu site, livrodopipo.com.br. O exemplar físico e o ebook estão na Amazon.
Me segue no Instagram em @pipofe para acompanhar os bastidores do livro e do segundo projeto.
Pipo R. Ananias é escritor e copywriter. Autor de Os Homens Não Conhecem o Amor, publicado pela LC Books em janeiro de 2026.