Por Dentro da Machosfera –   Documentário da Netflix

Por dentro da machosfera! Um documentário sobre a disseminação da cultura red pill me chamou atenção. Um jornalista, Louis Theroux, acompanha influenciadores que disseminam essa cultura machista e misógina na internet. 

O documentário é assustador. Homens, de várias idades, crenças e rendas, espalham via web ódio contra mulheres. A maioria dos homens que espalham ódio é seguida por diversos jovens. Theroux mostra como meninos, jovens e homens adultos reproduzem o discurso de dominação masculina com extrema força de alcance.

Muitos dos influenciadores entrevistados acreditam piamente que são seres salvadores dos jovens. Que mulheres são inferiores aos homens, e o discurso só piora. Um dos influenciadores convoca mulheres ao seu podcast e fica desqualificando-as de forma humilhante. 

Violência, ódio e um alcance perigoso. Faz com que os meninos acreditem nesse discurso e cometam os mesmos crimes. Alguns deles com muito dinheiro e ganância cada vez mais com isso. 

Os homens entrevistados e acompanhados pelo jornalista fazem questão de produzir mais e mais conteúdo sobre o tema. A legião de fãs cresce assustadoramente. 

O que é o movimento red pill e a machosfera?

Red pill é uma referência ao filme Matrix. Pílula vermelha, pílula azul. Quem toma a azul continua dormindo. Quem toma a vermelha acorda para a “verdade”.

Na internet, esse conceito foi sequestrado por homens que se convencem de que a verdade é essa: mulheres são manipuladoras por natureza, o feminismo destruiu a sociedade e o homem foi traído. Tomar a pílula vermelha, para eles, é enxergar isso. É acordar.

A machosfera é o ecossistema onde esse discurso circula. São fóruns, canais do YouTube, perfis no TikTok, podcasts e grupos fechados. Um ambiente construído para parecer comunidade, mas que funciona como câmara de eco. Quanto mais o usuário consome, mais o algoritmo alimenta. Quanto mais o algoritmo alimenta, mais extremo o conteúdo vai ficando.

Dentro desse ecossistema existem grupos com nomes distintos. Os incels, homens que se declaram involuntariamente celibatários e culpam as mulheres por isso. Os MGTOW, sigla para “homens que seguem seu próprio caminho”, pregam o afastamento total das mulheres. Os pickup artists, que tratam a conquista feminina como uma técnica a ser dominada, como se a mulher fosse um alvo. E os que se autodenominam alfa, vendendo masculinidade como produto.

O que todos esses grupos têm em comum é o inimigo. O inimigo é a mulher. O adversário é o feminismo. O inimigo é qualquer homem que não concorde com eles.

Como eles aderem à machosfera?

Ao meu ver, meninos carentes, fragilizados e dependentes de uma crença para seguir são os mais vulneráveis de atingir. Eles passam a seguir os influenciadores, venerar todos os atos e falas deles. 

O fato de se sentirem parte daquilo é a atração perfeita. A maioria deles, notamos no filme, está às margens da sociedade de alguma forma. Enfrentando luto, abandonados pelo pai, vítimas de uma infância violenta e solitária. Porque muitos deles enxergaram nesse movimento uma forma de pertencer ou recuperar a autoestima perdida quando criança.

É nesse ponto fraco que os criadores de conteúdo machista atacam. Com isso, eles proliferam mais e mais pessoas em torno do movimento red pill. 

Os homens têm resistência quanto à leitura de livros, em relação a conversar sobre seus sentimentos, expressar o que sentem ou buscar ajuda quando precisam. E isso facilita ainda mais a entrada do conteúdo das red pills em suas mentes. 

No meu primeiro livro, “Os Homens Não Conhecem o Amor, o personagem Pedro fala sobre seus sentimentos, conta suas relações mal-sucedidas com as mulheres e como elas o tratam por ser um homem mais sensível e que expressa o amor. O completo oposto ao homem que os red pills pregam “ser homem”. 

Como Combater a Cultura Red Pill Por Dentro da Machosfera

Assim como outros discursos extremistas e perigosos, por dentro da machosfera, mostra que esse movimento ganha força no silêncio dos homens. Mas, na sociedade, o homem segue em total omissão. Somos criados de forma machista, aprendemos a ser fortes, ignorar nossos sentimentos e, principalmente, não confrontar outros homens. 

No meu novo livro, “Todo Mundo Conhece um Homem Perigoso, eu chamo isso de “uma espécie de seita”. Não falo mal, não me oponho e não confronto o outro em atos machistas, misóginos, nada. 

Enquanto nós, homens, continuarmos silenciando diante de movimentos tão perigosos para nossa sociedade, será complicado combater os red pills. E não precisamos de violência contra eles, nem contra ninguém, mas devemos nos posicionar e falar sobre o machismo. Estudar mais, atentar-nos a como podemos melhorar e não ser machistas. Tudo isso é nossa responsabilidade.

O machismo é responsabilidade dos homens. Somos nós que devemos falar e lutar para combatê-lo. As mulheres são as vítimas. Se quiser entender mais, leia este post: “Como Parar de Ser Machista“.

Serviço:

Documentário: Por Dentro da Machosfera

Data de lançamento: 11/03/2026 (mundial).

Diretor: Adrian Choa.

Distribuidor: Netflix.

Produção: Louis Theroux, Aloke Devichand, Arron Fellows.

Duração: 1h 31m.

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