Livro sobre vulnerabilidade masculina: o que significa escrever um sendo homem

A maioria dos livros sobre vulnerabilidade masculina é escrita de fora. Por pesquisadores, jornalistas, estudiosos do comportamento. Eles observam, catalogam, explicam. Fazem um trabalho importante. Mas existe algo que nenhum deles pode oferecer: o relato de dentro.

Escrevi um livro sobre vulnerabilidade masculina. Não como quem estuda o fenômeno. Como quem viveu, negou, demorou para nomear e, quando finalmente nomeou, não sabia bem o que fazer com o que encontrou.

O livro se chama Os Homens Não Conhecem o Amor. Está disponível em livrodopipo.com.br e na Amazon. E desde o dia em que saiu, não consigo parar de pensar no que foi necessário abrir mão para escrever o que escrevi.

O que um livro sobre vulnerabilidade masculina precisa ter coragem de fazer

A maioria dos homens não tem problema com o conceito de vulnerabilidade. O problema é com a prática. Falar de vulnerabilidade numa entrevista, num painel, num texto acadêmico é uma coisa. Ser vulnerável de verdade, na página, é outra.

Ser vulnerável na página significa escrever cenas que você preferiria deixar enterradas. Significa nomear comportamentos que, na época em que aconteceram, você chamava de outra coisa. Significa não usar a distância do tempo como desculpa para suavizar o que foi.

Escrevi sobre um personagem chamado Pedro Pontes. Pedro é fictício. Os padrões que ele repete não são. A forma como ele se anula para não perder quem ama. A forma como confunde dependência com devoção. A forma como vai de relacionamento em relacionamento carregando o mesmo medo, sem nunca perceber que o medo estava nele e não nas mulheres que saíam.

Reconheci esse homem. Reconheci que o conhecia muito bem.

O que o homem aprende a esconder antes de aprender a sentir

Crescemos aprendendo que vulnerabilidade é fraqueza. Não com essa palavra. Ninguém senta um menino e explica isso em termos claros. O aprendizado vem por outro caminho.

Vem no momento em que você chora e alguém diz para parar. Vem no grupo de amigos onde demonstrar que está mal é chamado de frescura. Vem nos filmes onde o herói não vacila, não duvida, não pergunta se está fazendo certo. Vem em anos de silêncio que passam por maturidade mas são, na maior parte do tempo, só medo de ser visto.

Por isso, quando o homem chega à vida adulta com uma capacidade comprometida de se expor emocionalmente, ele não chama isso de limitação. Chama de jeito de ser. De não precisar de muita coisa. De ser independente.

Escrever um livro sobre vulnerabilidade masculina exigiu que eu parasse de chamar isso de jeito de ser. Exigiu olhar para o que, de fato, era: um conjunto de proteções construídas tão cedo que haviam virado identidade. E que eu questionasse, uma por uma, o que elas estavam protegendo.

Esse processo não é rápido. Não é confortável. E não termina com uma conclusão limpa que o leitor pode guardar em três pontos no final do texto.

Livro sobre vulnerabilidade masculina não é um manual

Preciso deixar isso claro porque sei o que muitos esperam quando ouvem que existe um livro sobre esse tema.

Não é um guia. Não tem passos. Não ensina o homem a ser mais vulnerável em algumas semanas. Não entrega uma versão melhorada de si mesmo no final da última página.

O que o livro faz é diferente. Ele coloca o leitor dentro de uma experiência que ele provavelmente já teve, mas para a qual talvez nunca tenha tido palavras. O homem que deu tudo num relacionamento e saiu vazio. O que se anulou tanto que, quando ficou sozinho, não sabia mais quem era. O que confundiu possessividade com cuidado. Silêncio com força. Distância com liberdade.

Reconhecer isso num personagem de ficção é mais seguro do que reconhecer em si mesmo. Às vezes é por aí que a honestidade começa. Por um personagem que você está quase pronto para admitir que conhece.

Não escrevi o Pedro Pontes para que o leitor o julgue. Escrevi para que ele o reconheça.

Por que esse livro precisava ser escrito por um homem

Existe uma pergunta que me fazem com frequência: por que você, sendo homem, escreveu sobre isso?

A resposta é que exatamente por isso faz sentido.

Não para explicar o que as mulheres já sabem sobre o comportamento masculino. Para colocar na página o que acontece do lado de dentro. O que o homem pensa enquanto age de formas que ele mesmo não consegue justificar. O que ele sente quando está sendo exatamente aquilo que não queria ser e ainda não tem vocabulário para nomear o que está fazendo.

Esse lado de dentro não aparece nos livros sobre vulnerabilidade masculina escritos de fora. Não porque quem os escreve seja incapaz. Mas porque existe uma diferença entre observar um comportamento e tê-lo habitado por anos antes de entendê-lo.

Mulheres descrevem o que o comportamento masculino causa nelas com muito mais precisão do que qualquer homem vai conseguir. Esse trabalho é insubstituível. O que um homem pode acrescentar é outra coisa: como esse comportamento se forma, como se mantém, como o homem o justifica para si mesmo enquanto ainda não enxerga o que está fazendo.

É esse relato que falta. E foi esse relato que tentei escrever.

O que o leitor vai encontrar em Os Homens Não Conhecem o Amor

O livro acompanha Pedro Pontes em vários relacionamentos. Em cada um deles, ele repete variações do mesmo padrão. Dá demais, pede pouco, aguenta o que não devia, vai embora antes de ser mandado embora ou fica depois que devia ter saído.

Pedro não é um homem mau. É um homem que não aprendeu a nomear o que sente. Que confunde entrega com desaparecimento. Que ama com o medo de perder colado ao amor, de forma que às vezes é difícil saber onde um termina e o outro começa.

Escrever esse personagem foi, em partes, escrever sobre o que aprendi observando e, em partes, sobre o que aprendi olhando para dentro. Não vou dizer qual parte foi maior. O leitor que já se viu num relacionamento assim vai saber encontrar o que é de quem.

Se você está procurando um livro sobre vulnerabilidade masculina que não seja autoajuda, não tenha lista de passos e não prometa curar nada, é este. Está em livrodopipo.com.br e na Amazon.

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